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App de treinos para personal trainers: como organizar cada aluno

Se você dá aula particular, o trabalho não acaba quando o aluno vai embora: é preciso ajustar o treino, anotar como foi e saber quem vem amanhã. Aqui eu mostro como organizar tudo isso, com ou sem app.

O problema: treinos espalhados por todo lado

Quase todo personal trainer começa do mesmo jeito: o treino numa nota do celular, as mudanças numa conversa de mensagens, as cargas num caderno e a agenda na cabeça. Com poucos alunos, dá certo. Quando a turma cresce, os erros aparecem: alguém recebe uma versão antiga da ficha, você não lembra que carga a pessoa usou na semana passada ou dois alunos chegam no mesmo horário.

Não é falta de esforço. A informação de cada aluno mora em vários lugares ao mesmo tempo, e nenhum deles é o oficial. A saída, com app ou sem app, é ter um único lugar para cada coisa: uma ficha de treino atual por aluno, um registro do que aconteceu em cada sessão e uma agenda da semana.

A informação de cada aluno mora em vários lugares ao mesmo tempo, e nenhum deles é o oficial.

As quatro peças de um bom sistema de treinos

  1. Um cadastro por aluno Nome, os dias em que treina com você e o objetivo dito com as palavras dele. Só isso: o que você não consulta toda semana é excesso.
  2. A ficha de treino atual Uma única versão, a que vale hoje. Cada exercício sempre com o mesmo nome, com séries, repetições e carga. Mudou alguma coisa? Você edita essa versão em vez de criar outra nota.
  3. O registro de cada sessão O que o aluno fez de verdade, com que carga e como se sentiu. Com esses três dados você enxerga a evolução sem depender da memória.
  4. A agenda da semana Quem vem, em que dia, a que horas e qual treino toca. Se a agenda diz “Treino A”, você já sabe o que separar antes de o aluno chegar.

Veja como fica uma ficha atual bem escrita. Repare que cada exercício tem a sua carga e que existe uma observação pensada para a próxima sessão.

Treino da Ana · Treino A
Agachamento goblet · 3 × 10 · 12 kg
Stiff · 3 × 8 · 20 kg
Remada unilateral · 3 × 10 · 10 kg
Prancha · 3 × 30 s
Obs.: testar 14 kg no agachamento se as 10 saírem limpas
Exemplo: a ficha atual de uma aluna, com a carga de cada exercício e uma observação para a próxima sessão.

Como atualizar a ficha depois de cada sessão

A melhor hora para atualizar um treino são os minutos logo depois da sessão, não o domingo à noite. Está tudo fresco: você sabe qual exercício pesou, qual ficou fácil e o que precisa mudar. Se deixar para depois, se perde. Um método simples:

  • Anote o que aconteceu, não o que estava planejado. Se saíram menos repetições do que o planejado, registre as que saíram.
  • Use sempre o mesmo nome para cada exercício. Se “agachamento goblet” às vezes vira “agachamento com halter”, depois você não consegue comparar.
  • Acrescente uma observação de uma linha: como o aluno se sentiu e o que testar na próxima vez.
  • Mude a ficha atual só quando decidir uma mudança. O registro é a história; a ficha é o plano.
  • Uma vez por semana, dê uma olhada no registro de cada aluno e decida se o treino continua igual ou se ajusta.

Com o registro em ordem, a evolução deixa de ser impressão e vira algo que você consegue ler. Por exemplo, o histórico de um único exercício poderia ficar assim:

Evolução da Ana · Agachamento goblet
Sessão 1 · 3 × 10 · 10 kg · Tranquilo
Sessão 2 · 3 × 10 · 12 kg · Última série pesou
Sessão 3 · 3 × 10 · 12 kg · Bem
Sessão 4 · 3 × 8 · 14 kg · Puxado
Exemplo: o registro de um exercício, sessão por sessão, com a carga e uma observação curta.

Isso também melhora a conversa com o aluno. Em vez de dizer “você está indo bem”, você mostra o que ele fazia algumas semanas atrás e o que faz hoje. As decisões de treino continuam sendo suas: o registro só traz os dados para você decidir.

A agenda da semana

A agenda de um personal tem uma particularidade: cada horário está ligado a uma pessoa e a um treino. Por isso vale a pena que ela mostre as duas coisas. Antes de o dia começar, você vê quem vem e qual sessão é a da vez, e já separa o material. Ela também mostra os horários livres de relance e evita marcar dois alunos na mesma hora.

Agenda · Esta semana
Seg 07:00 · Ana · Treino A
Seg 18:30 · Marcos · Treino B
Qua 07:00 · Ana · Treino B
Qui 19:00 · Sofia · Treino A
Sex 08:00 · Livre
Exemplo: a agenda da semana, com o treino de cada sessão.

Como pedir o seu app de treinos, passo a passo

Com o Miniceo, você cria um app descrevendo o que quer com as suas palavras, com inteligência artificial e sem escrever código. Dá para fazer pelo app para iPhone ou pela versão web, no computador.

Eu testo apps próprios todos os dias, e a maior lição foi esta: os melhores pedidos descrevem uma tarefa concreta e dizem quem vai usar o app. Comece pequeno e melhore conversando. Por exemplo: “Quero um app para organizar meus alunos de personal. Cada aluno tem uma ficha com exercícios, séries, repetições e carga. Depois de cada sessão eu anoto o que ele fez e como se sentiu. Quero ver a agenda da semana com quem vem em cada dia e qual treino toca. Quem usa sou eu, no celular, entre uma aula e outra.”

  1. Descreva a tarefa Escreva um pedido como o do exemplo. Em minutos você tem uma primeira versão para testar.
  2. Teste com o seu próprio treino Cadastre os seus exercícios ou uma sessão de teste e use de verdade. Logo você vê o que falta e o que sobra.
  3. Melhore conversando Peça mudanças com palavras simples: “adicione uma observação em cada exercício” ou “comece a agenda pela segunda-feira”. Quando uma mudança não servir, você volta para uma versão anterior e segue.
  4. Compartilhe com um link Quando estiver pronto, você compartilha um link, e quem recebe abre o app por ali, no nosso app ou no navegador. O que você salva continua lá quando você volta, e todo mundo que abre esse link vê os mesmos dados.

O que ainda não faz

Antes de decidir, é bom conhecer os limites com clareza. Para um personal, o mais importante é o dos dados compartilhados.

  • Os dados salvos são de todos: quem usa o app vê as mesmas informações. Se você mandar o link para os seus alunos, cada um pode ver os treinos e os registros dos outros. Não é um sistema de contas privadas por aluno.
  • Não recebe pagamentos: não há cobrança com cartão dentro do app, então as aulas continuam sendo cobradas como hoje.
  • Não se conecta aos sistemas que você já usa, como o seu software de agendamento ou a sua contabilidade.
  • Não é publicado nas lojas de aplicativos com o seu nome: as pessoas abrem pelo seu link ou dentro do Miniceo.
  • A primeira versão é simples. Um app mais completo leva várias rodadas de mudanças, e às vezes é preciso reformular um pedido.

Por isso, o jeito mais sensato de usar é como ferramenta sua: a ficha, o registro e a agenda ficam com você. Se quiser que os alunos também abram o app, salve só o que não tem problema os outros verem, como um primeiro nome ou iniciais, e nunca dados de saúde ou informações pessoais.

Perguntas frequentes

Cada aluno consegue ver só o próprio treino?

Não. Qualquer pessoa que abre o app vê os mesmos dados salvos que você. Se você compartilhar com os alunos, eles também vão ver os treinos dos outros. Use como ferramenta sua ou salve só informações que não sejam sensíveis.

Preciso saber programar?

Não. Você descreve o app com as suas palavras e depois melhora conversando, pedindo mudanças em linguagem simples.

O que vale a pena registrar em cada sessão?

O mínimo útil: qual exercício, com que carga, quantas repetições saíram e uma observação curta sobre como o aluno se sentiu. Quem tenta registrar tudo acaba não registrando nada.

Os alunos podem pagar as aulas pelo app?

Ainda não. O app não recebe pagamentos, então a cobrança continua por fora, do jeito que você faz hoje.

E se uma mudança der errado?

Você pode voltar para uma versão anterior do app e tentar de novo com um pedido mais claro e mais específico.

Esse sistema funciona sem app?

Funciona. As quatro peças, ou seja, o cadastro, a ficha atual, o registro e a agenda, também cabem numa planilha ou num caderno. Um app só junta tudo num lugar que você abre no celular.